Menotismo ou bilardismo? De que clássica frente ideológica terá em prática a nova seleção argentina. Sabella não renega a importancia que Carlos Salvador Bilardo teve em sua carreira. Sob comando de Bilardo, Pachorra Sabella - apelido oriundo de seu estilo cerebral de jogar - conheceu a glória, ao conquistar o Campeonato argentino de 82 para o Estudiantes de La Plata. No entanto, Sabella quer se distanciar da chamada Geração de 86.Após o fracasso de Coco Basile, Julio Grondona convocou Bilardo como manager de todas as seleções da AFA. Dava inicio o projeto batizado como Geração de 86 - com parte dos jogadores campeões do mundo no México comandando os selecionados nacionais. Tatá Brown e Garré ficaram com as seleções sub 17 e sub 20. Sergio Batista com o projeto olímpico, enquanto Maradona - com o Negro Enrique como auxiliar técnico - a frente da seleção principal.Sabella, apesar de tocar a gloria sob a batuta de Bilardo no Estudiantes, foi excluido da lista final para o Mundial de 86. Ao final de sua carreira como futebolista, Sabella se aproximou de Daniel Passarella, símbolo da era Menotti - 1975 à 1982. Junto a seu ex-companheiro de River Plate - clube que o revelou em meados dos anos 70 - Sabella trabalhou como assistente técnico da seleção nacional - entre 95 e 98.
Em seus dois primeiros jogos sob o comando da seleção argentina, ainda nao pudemos observar qualquer ideia de jogo ou resquicios de um pragmatismo bilardista ou um virtuosismo menotista. A equipe variou táticamente de um 4-3-2-1 da estreia contra a Venezuela para um 3-1-4-2 frente aos nigerianos. Tudo tem um claro motivo: resolver a dependência de Lionel Messi. Na última Copa América ficou claro o desespero do craque do Barcelona, em retroceder até o meio campo para tentar solucionar os problemas de criação da equipe.
Contra a Venezuela vimos os mesmos problemas. Sabella escalou Gonzalo Higuain como único atacante, tendo Di Maria, pela esquerda, e Messi, pela direita como seus dois armadores. O meio campo ainda contava com Mascherano na contensão; Lucho Gonzales, pela direita, e Ricky Alvarez, pela esquerda, como volantes de mais chegada. A ideia falhou, já que Messi voltava para auxiliar na saída de jogo ineficaz, e assim, agarrava a bola longe do gol adversario.
Contra a Nigéria, Sabella testou uma nova formação. Era o regresso de uma defesa com três zagueiros. Demichelis como líbero; Otamendi - autor do gol da vitória contra os venezuelanos - e Burdisso como stoppers. Mascherano se manteve como volante central, enquanto uma linha de 4 jogadores passaria a pressionar o adversario ainda em seu campo. Os laterais, Zabeleta e Marcos Rojo, passaram a atuar como alas, em linha com Di Maria, pela esquerda, e Principito Sosa - lançado no Estudiantes pelo proprio Sabella - pela direita.Eis que por destino, ou uma virtual coincidência, Messi atuando como segundo atacante, ao lado de Higuian, encontrou o seu melhor futebol.
Para os confrontos contra o Brasil, Sabella não poderá contar com Juan Román Riquelme e Juan Sebabstián Verón - ambos com problemas fisicos. Assim, a equipe argentina deverá entrar no estádio Mario Alberto Kempes de Córdoba no esquema 3-2-4-1com Agustín Orión do Boca Juniors no gol. Sebastián Dominguez, Leandro Desábato e German Ré como zagueiros. A dupla de volantes será a mesma do último campeão argentino: Hector Canteros e Victor Zapata do Veléz Sarsfield. A frente uma linha de 4 armadores fomada pelos alas Ivan Pillud, do Racing pela direita e Emiliano Papa, do Vélez Sarsfield pela esquerda, somada a sociedade entre Augusto Fernandez pela direita, e Juan Manuel "El burrito" Martinez, pela esquerda. O centroavante será Mauro Boselli, que desde seu regresso ao Estudiantes de La Plata não conseguiu balançar a rede.
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